segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

“Tá Chegando a Hora…"


    Ai, ai, ai, ai!  Dias animados de dançar com uma força creoula que ascende do quadril e tudo move. Salta de algum lugar uma energia como se represada, muito maior do que em qualquer outro dia, neste tempo explode a alegria.
   Em outro tempo os jovens brincavam em clubes, eu tinha um grupo animado, um namorado, um bem achado em outro carnaval e, lá estávamos eu e aquele ”meu pedaço” num camarote, muitos amigos com direito a um músico de bateria marcando um bumbo, aquele era o ritmo do meu coração, o ritmo da emoção. No último dia cantavam: “ai, ai, ai, ai, tá chegando a hora...” Meu Deus, eu acreditava talvez que a alegria iria embora enfim, eu sempre chorava nessa hora.
   Tudo girava em minha cabeça como música em torno da fantasia; eu criava e me sentia havaiana, índia, colombina, sem falar do bloco do pijama que saia antes da escola de samba. Lá ia eu; cocar escandaloso de índia, de pintora, lá ia eu, na avenida de shortinho bustiê, boina e bota carregando feliz um escândalo de cores no esplendor de aquarela. Lembro-me neste desfile de escola de samba estar sendo filmada e eis que, de repente, saiu de trás da câmera um ser que gritou: Minha Terapeuta!  Eu, sorrindo continuei dançando em nome da arte que cria todas as ilusões, afinal eu ali era a pintora, a artista. Valeu a pena!
   O carnaval é um tempo para viver a arte coletivamente, um encontro onde tudo pode ser criado, à partir da fantasia vivida na música, dança, cores e formas como um grito de possibilidades em expressão.
   Com o tempo, a alegria não acaba, nem a arte, e sim, expande-se a criação na mesma proporção que se amplia a consciência. Aquela explosão de energia que vivi em nome da folia, hoje se arrisca em novas formas e experiências. Afinal, o tempo vai afirmando; se o grito coletivo é força da arte que cria e não da fantasia, o pulo mais alto se dá quando a arte rebola com alegria em direção à verdadeira essência que tudo cria; o amor na realidade. A fantasia pode durar, só por três dias.
    Falando em amor; houve entre outros carnavais um memorável: Voltou de mansinho, depois de muito tempo, o meu primeiro amor, veio vindo, gostando de estar, ia ficando sempre mais um pouquinho, enquanto eu recriava o encanto de amar. Um encontro cheio de histórias vividas ou não, eram compartilhadas com muita sintonia, afinidades; a mesma paixão pela natureza e um bom gosto pela arte na boa mesa, na poesia filmes e música. Faltava o grande teste, para eternizar um grande amor, a alegria. Chegou o carnaval, pra mim foi o que os franceses chamam “goût”, em português o gosto, ou um pouco mais, aquele gosto que inspira os sentidos.  É assim, pra gente como eu, que ama e gosta de carnaval, sempre revive o som do bumbo no coração e sempre chora quando “... tá chegando a hora, o dia já vem raiando meu bem...”.  Enfim, quem veste à fantasia tem que passar e ir embora!
     O carnaval também passa, fica o momento de poesia, ou será de fantasia? Não importa a resposta, vale o que se transforma ou se recria. É carnaval, deixo-me lavar com água de cheiro, andam recriando o amor, cantando pela proteção à natureza, dançando na tenda dos milagres que inspira a luz, enquanto eu vou deixando de saudade e também essa conversa.
     “Tá chegando a hora” afinal com sensibilidade, agente abraça a folia e dança a felicidade, à arte de renascer temperado no axé e dendê.
                                                         MySal

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A tua mão...

Sensível gesto
Precede a razão

Intuí uma só direção...
Da árvore, do sol, dos pássaros 
Embrulhei-me em sons
Quisera me proteger
Em vão

Não escaparia
Do amor em mim...
                                 
                                     MySal

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Um dia...

Um dia desses me sinto assim:
 Friozinho de mês sem erre é outono de céu azul carbono, profundo; dias de sol pleno e noites frias, claras de estrelas penduradas. Nascem flores vermelhas no meu jardim.
Um dia desses, nasce à paixão em mim.
E enquanto esfria lá fora, um fogo, que deve ser por João - o santo claro - acende a fogueira que anda dançando dentro de muita gente, e vou conversando tanta bobeira que quase esqueço a saga dos bombeiros; melhor agora que eles se esqueçam de mim.
 Crio novos sabores, temperos do tempo que nunca passou, e fica um sabor de histórias, de gente que amou muito, num dia assim.
Acendi um fogo na lareira e deixei a fogueira no corpo, por dentro, atiçando os sentidos. Veio o cheiro da canela, fiz tal mistura na panela que adoçou seu beijo pra mim.
Bem, de poeta e bobo, todo mundo tem um pouco, e isso é bom de lembrar; afinal, desgraça pouca é bobagem. Antes assim...
A vida é simples:
Apurar o nariz, aguçar o ouvido, afinar a ponta dos dedos pra quando a madrugada chegar, ainda exercitar o ser feliz.
Com os olhos de coruja vou lá fora toda enrolada no cobertor e de toca na cabeça; A lua cheia brilhante e nua sai do seu esconderijo.
Sorrio...
Ela também está rindo de mim.
                                               MySal

sexta-feira, 1 de abril de 2011

SONHO REALIZADO

Enquanto você dormia
Uma fresta de luz entrava no quarto sobre a cama
Iluminava de leve teu rosto
Enchia de prata o teu cabelo
E o teu semblante suave
Contava-me sonhos
Pareciam ser seus aqueles sonhos
Pairavam sob a luz e se espalhavam na cama
A  felicidade em espantos sinceros,  eu emocionada

Contemplava

Formas inusitadas, cores e possibilidades
Na contemplação alcança-se algo além do plano das imagens, das idéias
Enquanto eu ali vivia silenciosa, livre e plenamente
Eu amava, sem perceber

-O amor ultrapassa as idéias de um, não as do outro-
Ah! o amor, não ultrapassa jamais o plano do desejo
Assim, amando, silenciosamente,
Nem percebia o que não acreditava saber
O sonho que via; era só meu, livre e plenamente meu.
                                                                                         MySal

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ROUBO DE IDENTIDADE

Caros Amigos
Esse é um comunicado aos amigos que me seguem, e a outros que não estão aqui presentes como seguidores, mas me incentivam Nesses ensaios de poeta, por outras correspondências:

Quero frisar que; NÃO ESCREVO EM NENHUM OUTRO MEIO ALÉM DO MEU BLOG, MEU ORKUT OU MEU FACEBOOK..
QUANDO ENCAMINHO ALGUM TEXTO RECEBIDO POR EMAIL, COSTUMO ENDEREÇAR SOMENTE A QUEM TENHO CERTEZA DO INTERESSE NO TEMA E, AINDA ASSIM, COSTUMO COMENTAR , OU SEJA, COLOCO ANTES UMA OPINIÃO PESSOAL A SER REFLETIDA E/OU PARTILHADA.
MEU NOME E LINK DESTE BLOG,  ABUSIVAMENTE ROUBADOS E TEXTOS QUE SEQUER RESPEITO, ESTÃO SENDO PUBLICADOS SOB FALSA IDENTIDADE.
ESTÁ DENUNCIADO AO GOOGLE ESSE ROUBO DE IDENTIDADE E ESTOU AGUARDANDO PROVIDÊNCIA ENQUANTO PESSOALMENTE, ESTOU CONSIDERANDO UMA ACÃO JUDICIAL.
HAVIAM SEGUIDORES QUE, PESSOALMENTE NÃO CONHECIA, NESSE MOMENTO, LAMENTÁVELMENTE, PREFIRO QUE ESTA PÁGINA SEJA RESTRITA A AMIGOS.
ESPERO QUE ME CONHEÇAM O SUFICIENTE PARA NÃO TOMAR COMO MINHAS PALAVRAS, DENÚNCIAS SEM COMPROVAÇÃO, ESPECULAÇÕES, ACUSAÇÕES OU DEBOCHES. TRAÇOS QUE SERIAM A MEU VER COVARDES, ASPECTO QUE NÃO ME DEFINE.
MySaL

sábado, 5 de fevereiro de 2011

COR DO BARRO

Da cor do Barro
A inspiração nascia
Moldava formas, aquelas
Que as palavras não diziam
De amar, de querer, de rezar...

Da cor do barro
Ao movimento
E do pó que flutuava
Respirava a emoção
Essência de um sentimento que brotava

Da cor do barro
Soçobrava pelo ar, pelo chão
A essência que, na matéria não cabia
E ao pó que varria, somava a água
Guardava a cola pra nova forma

Da cor do barro
Hoje choram as ruas, as montanhas
E ao pó que varrem
Junta-se a hipocrisia
Dos que não cuidaram
De todos que queimaram
E ao pó se varrem os que morreram
A dor e consciência
Quem respira?
                           MySal

Zélia Duncan - Palavra Encantada

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

DEDICO ESSA FORÇA PROTETORA AO NOVO CICLO 2011


A FORÇA DA ÁGUA DOCE

A Água quando o Fogo é forte
Evapora o calor
Rola
Como desejo
No rosto suado, chora Roda no rio
Lava
Do caos, aos sentimentos ensina o gozo,
E o gesto vaidoso torna roto
Na entrega ao leito.

A paixão como água revolta
Salta
Em espuma branca, doce e em festa,
Segue
Debruçando-se sobre as pedras,
Natureza menina, sem medo corre
Leve
Intuindo o caminho do amor
E depois, sem pressa,
Passa
Sábia memória das águas
Flui
Água doce, ao longo curso do rio
O destino vai desenhando,
Nas curvas da lembrança

É de Oxum essa força
O amor, prazer e dor
Que chora, envolve,
Limpa
Sentimento de liberdade; água de sempre ir
E do espelho da aparência à essência.
Cresce
Imponente ao deslizar
Na glória da cachoeira,
Água forte rolando corajosa, na pedreira.
Segue
Regando as sementes
Da montanha até o encontro do mar
MySal

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

"HUMANITAS"

Flagrante...
Por todo esse flagelo,
Descompromisso social, político
Natural
Falta-nos um som, o da harmonia
Da saúde, da civilidade
Uma nova estética da ética

Ouço - Dido e Enéas- e sinto;
Essa área, essa ópera
Chorando por nós.

MySal

sábado, 18 de setembro de 2010

UM TALENTO - NAS ASAS DO VENTO

Não assuste o talento das asas do vento.
Por elas os pássaros do céu voam,
Ouça-lhes o canto.
Suporte; será somente o Vento.
De repente, moverá o que era imobilidade,
E de volta verás a neblina e a chuva e ainda;
O frio que, por ele retorna, passará.

Não importa o teu bem- estar, gozo, satisfação ou dor,
Nem mesmo a opressão que arrepia, passará.

Firma a sua obediência ou mesmo sua desobediência
Ao teu interior e, nele encontrarás a lei que move a ti mesmo
Assim, respeite o talento das asas do vento...
Segue, cresce sonha e cria, também passarás

O fruto sublime de teres suportado a adequação ou a inadequação
A tudo que faz o vento; mudar, levar, transformar
Resultará em ti mesmo: mais autonomia, sentimento só e absoluto
O absoluto estará em ti e a tudo ligado como essência – Livre
Se te digo das asas do Vento é por desejo:
Seja também este um talento teu e meu; sublime.

MySal

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

EM TEMPO DE FOGO NO MATO

Na tenda onde eu morava:
Uma cerca verde, de flores vermelhinhas espinhentas me separava,
Do grande mato que via
Ali até o mato grande tão amado me protegia
Ria quando ele dançava leve no vento com um movimento
Delicado aerodinâmico, estético, empinado,
Em sutileza de linhas contemporâneas,
O arrojado mato tornou-se também minha planta querida.
Quando chegou o inverno
O que era mato verde virou mato roxo.
Fiquei ainda mais apaixonada!
Brotavam dele sementinhas brancas,
E de manhã bem cedo tudo ainda enevoado
Ele ali vaidoso encantado recebia contente
A visita animada de centenas de passarinhos
Meu Deus como agradecia aquele mato onde eu me escondia.

Ontem, depois de sentir Obá, Oxum e Oiá.
Mulheres de Xangô que em poesia me diziam do amor que sentiam
Só pela justiça lutavam.
Saí procurando um livro e sabem as deusas que o acaso mandou
Eu conhecer nesse dia, a Senhora do Maracatu.
Em plena Graça da livraria, só falamos de poesia.
Voltei feliz para tenda onde o tema esperado era o Xangô amado. Que susto!
O cheiro de queimado e, tudo estava coberto de fuligem.
Como já era noite nada podia ver, mas temia...
Virei à madrugada escrevendo pedindo a Xangô um pouquinho do seu calor,
Afinal esperava sua luz de raios apontando e trovões que anunciassem
Um pouco de justiça pro trabalho
De ver logo plantado um jardim de amor temperado.

Acordei cedo; dormindo, não perco tempo,
Abri a cortina pra compartilhar com o mato
O Bom Dia animado, cantado pela ninhada dos passarinhos.
Como sempre, o sol entraria.
Colocava a cabeça onde antes estava o pé,
Depois devagar tirava as cobertas, depois a roupa,
Ficando, assim, livre, despida, entregue ao sol envolvida
Sentindo nua a liberdade pelo mato acolhida.
Que susto, que tormenta mal podia entender o que Xangô queria!
Queimaram grande parte do mato querido
E eu que era só na tenda, chorava tanto ali me sentindo abandonada!
Que justiça é essa, Xangô? Uma enorme casa onde via homens no telhado,
Malditas marteladas batiam construindo a grande morada
De quem despejou o mato sem saber a dor que ele e eu sentíamos
Vendo o sinal revelado que já era acabado:
O tempo da tenda onde escrevia com silêncio e fogo, justo o amor tão sonhado.

MySal

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

PEDRA

A pedra
Impenetrável
Não é pedra
Indecifrável

Chora a água sobre ela
Guarda o calor
Do fogo, dos vulcões

A pedra
Impenetrável
Não é pedra
Indecifrável

Poro da pele
Da pedra
Respira a história
Do rumo arenoso, do rio
Luz da pedra
Esconde o profundo,
Gravado no escuro interior da terra
Querida pedra invulnerável
Sobre ti floresce
A solidão da montanha

MySal

sábado, 12 de junho de 2010

ENCONTROS INSPIRADOS

Encontros Inspiradores

A Inspiração
Força que move,
Ação que transforma
Estado da alma
Encantamento
Consentido
Leve
Cria
Prazer

MySal

terça-feira, 1 de junho de 2010

RAZÃO E PRECONCEITO

“Carregamos dentro de nós as maravilhas que buscamos externamente”

Thomas Browne

Há certamente, toda África e seus mistérios dentro de nós. Assim compreendeu Carl G. Jung, teórico da psicologia analítica, depois de sua memorável experiência em viagem por terras e povos africanos. A partir desse pressuposto comprova em inúmeros estudos de casos a existência de um inconsciente coletivo, onde reside simbolicamente o registro de toda nossa existência na eternidade.
Com este pressuposto, Jung vem ressaltar o quanto esse Continente Escuro e seus povos, atraem os Europeus, através de seu próprio caráter físico e experiência, pois ali reside o que eles esqueceram em seus próprios eus primitivos.

O primitivo, inevitavelmente provoca a curiosidade, a tentação de voltar a uma versão livre e anacrônica de si mesmo. Esta é uma tentação inconsciente de difícil recusa.
A mesma atração pelo desconhecido, escuro e misterioso capaz de atrair, produz uma contra-corrente tão forte em nossa alma que, nos leva a rejeitar e odiar o homem negro e sua origem.

Quanto mais o homem se afasta de seu eu instintivo mais perde sua liberdade e, mais intensa se torna a rejeição a que chamamos de ódio, preconceito.

MySal
 
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quarta-feira, 26 de maio de 2010

SOL POENTE

Rumo ao poente
Jaz o sol
Deitando-se
Sobre a insinuante
Linha sua amante
No horizonte
Resta-me dele
O rubro na face
E o frio silêncio
No meu jardim

MySal

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Pé de Laranjeira em Flor

Serena
Alma feminina
Vive o ciclo da flor
Silencia e escuta
O que a natureza ensina;
Como é se doar e renascer

Espera
Embaixo da laranjeira em flor,
Depois das gotas de chuva
De mansinho, molhada
Logo virá o sol, o calor.
A florada se abrirá esplendorosa,
Onde palpitava o botão da flor

Ouça
Com serenidade,
Arrepia o som das asas
Do ansioso vôo do beija flor.
Comemora o feminino
Singelo fruto, de aroma e cor

Sinta
Sob o calor,
Por timidez, talvez,
Palpitam os botões,
Mas, se abrem em flor.
De luz branca, pequena e linda
Despontam como buquês de estrelas
Acendem o caminho do amor

Derrame-se
Em paz e suavidade
Perceba, no aroma
A presença do gosto
Dourado suco que a boca provou

Resgate
Da essência, o milagre
Gosto, perfume e cor
De estar viva no corpo
A sutil leveza da flor
Na alma vive
O segredo
Do beija flor

MySal